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Esta é Helena.  Helena não lembra qual a cor da roupa que usou ontem, não lembra o último filme que assistiu, mas acha que foi algum drama do seu diretor favorito. Helena nunca entendeu as pessoas. Semana passada ela saiu arrumada e avisou que ia andar. Quando chegou, havia um aviso grudado na geladeira: “Helena, a cada dia que passa a sua loucura me espanta. Semana que vem nós iremos ao médico. A janta está pronta”. Helena foi vista como louca porque saiu para andar. Mas se Helena saísse, sem avisar e carregasse consigo alguns papéis e uma mochila, ela seria vista como uma mulher normal que saiu para resolver alguns problemas. Helena coleciona pedras. Pedras do mar ou pedras que ela encontra na rua. Ela começou a colecionar depois que perdeu a primeira pedra que encontrou. Era azul e ela dizia que certamente aquela era alguma joia ainda sem nome e que só ela tinha. Ela perdeu quando se mudou. Encontrei Helena numa tarde sem sentido, seu cabelo tinha o cheiro da rua, a rua onde fica o meu lugar favorito de toda a cidade.  Helena disse que precisava ir,  Que as costas doíam,  Que a mochila pesava  E que estava cheia  De pedras. 

01/09/2014

Esta é Helena.
Helena não lembra qual a cor da roupa que usou ontem, não lembra o último filme que assistiu, mas acha que foi algum drama do seu diretor favorito. Helena nunca entendeu as pessoas. Semana passada ela saiu arrumada e avisou que ia andar. Quando chegou, havia um aviso grudado na geladeira: “Helena, a cada dia que passa a sua loucura me espanta. Semana que vem nós iremos ao médico. A janta está pronta”. Helena foi vista como louca porque saiu para andar. Mas se Helena saísse, sem avisar e carregasse consigo alguns papéis e uma mochila, ela seria vista como uma mulher normal que saiu para resolver alguns problemas. Helena coleciona pedras. Pedras do mar ou pedras que ela encontra na rua. Ela começou a colecionar depois que perdeu a primeira pedra que encontrou. Era azul e ela dizia que certamente aquela era alguma joia ainda sem nome e que só ela tinha. Ela perdeu quando se mudou. Encontrei Helena numa tarde sem sentido, seu cabelo tinha o cheiro da rua, a rua onde fica o meu lugar favorito de toda a cidade.
Helena disse que precisava ir,
Que as costas doíam,
Que a mochila pesava
E que estava cheia
De pedras.

01/09/2014

dizer que eu tô lendo livros ótimos e tô muito feliz com isso. e que tô tão triste que tô em paz.

11

Vá para o Tibet.
Monte em um camelo.
Leia a bíblia.
Pinte seus sapatos de azul.
Deixe a barba crescer.
Dê a volta ao mundo numa canoa de papel.
Assine The Saturday Evening Post.
Mastigue apenas com o lado esquerdo da boca.
Case-se com uma perneta e se barbeie com uma navalha.
E entalhe seu nome no braço dela.
Escove os dentes com gasolina.
Durma o dia inteiro e suba em árvores à noite.
Seja um monge e beba chumbo grosso e cerveja.
Mantenha sua cabeça dentro d’água e toque violino.
Faça uma dança do ventre diante de velas cor-de-rosa.
Mate seu cachorro.
Concorra à prefeitura.
Viva num barril.
Rompa sua cabeça com uma machadinha.
Plante tulipas sob a chuva.

Mas não escreva poesia.

Charles Bukowski

6900

“Tem horas que é caco de vidro
Meses que é feito um grito
Tem horas que eu nem duvido
Tem dias que eu acredito.”

Paulo Leminski 

1629

Vaga-lumes
trazem à tona
novos escuros

237

“Na cama, à noite, enquanto penso em meus muitos pecados e em meus defeitos exagerados, fico tão confusa pela quantidade de coisas que tenho que analisar que não sei se rio ou se choro, dependendo do meu humor. Depois durmo com a sensação estranha de que quero ser diferente do que sou, ou de que sou diferente do que quero ser, ou talvez de me comportar diferente do que sou ou do que quero ser.”

O Diário de Annie Frank. 

2266

“Ser meticulosamente leve e solto, capaz de divagar sem lógica sobre o universo e seus espaços vagos. Você seria capaz de acreditar na piedade, no perdão? E quem sabe um dia no silêncio noturno dos pensamentos, com os olhos pregados no céu e as palmas no chão, descobrir, por um mero acaso, a origem dos anéis de saturno. Sim, os teus olhos partiram, eram feitos de mel. Eu posso ver a tua iris dourando a imensidão que nos encara e sangra, escancara nossa ínfima existência, terrena, inócua, finita. E se multiplicássemos o amor? Será que nos tornaríamos mais humanos? Acredite, nossa previsibilidade e dependência do outro é absurda. Nossa necessidade de companhia, uma derrota irremediável. O segredo está na graça da vida! No humor, no aroma suave e doce da margarida. Não me fale de confiança e jamais ouse soletrar a palavra traição. Se pararmos por um segundo perceberemos que somos todos feitos da mesma matéria, que sonha, que chora, que morre e se recolhe ao fundo de nós. Não somos donos de nada.”

Elisa Bartlett  

3126

“O essencial sempre fica no fundo, esmagado pela superficialidade.”

Caio F. Abreu - Limite Branco

213

“De volta à realidade, o sonhador se vê desiludido, em um quarto escuro e sujo, e diz: “Talvez a culpa de tudo isso fosse aquele raio de sol que de súbito surgiu por entre as nuvens, para logo depois voltar a esconder-se por detrás de outra ainda mais escura, que anunciava chuva, de tal maneira que todas as coisas se tornaram ainda mais lúgubres e mais sombrias…”

Fiódor Dostoiévski 

305

“Havia um tempo de cadeira na calçada.
Era um tempo em que havia mais estrelas.
Tempo em que as crianças brincavam sob a clarabóia da lua,
e o cachorro da casa era um grande personagem.
E também o relógio da parede!
Ele não media o tempo simplesmente: Ele meditava o tempo.”

Mario Quintana

339

“(…) e me ocorreu que todo mundo sofria continuamente, incluindo aqueles que fingiam não sofrer.”

BUKOWSKI, Charles. Ao Sul de Lugar Nenhum - Dr. Nazi 

2024

eu quero ver você cuspindo ódio 

eu quero ver você fumando ópio 

eu quero ver você chorar veneno 

eu quero beber do seu café pequeno 

eu quero medir a altura do tombo

quero isso, seja lá o que isso for

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holocaustum:

Caio Fernando Abreu.

holocaustum:

Caio Fernando Abreu.

Céu

Gosto mais,

quando as estrelas brilham no céu da tua boca

do que no infinito inalcançável do universo!

.

-claus nardes-

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